Muralhas de Setúbal

As muralhas de Setúbal localizam-se na cidade do litoral e Distrito de mesmo nome, em Portugal.
Importante burgo piscatório no século XVI, a povoação não conheceu um castelo própriamente dito, embora tendo sido muralhada em época medieval. A expressão Castelo de Setúbal é popularmente empregada para denominar o Forte de São Filipe de Setúbal, este em posição dominante sobre um outeiro, fronteiro à cidade, na margem esquerda da foz do rio Sado.
O povoamento do sítio de Setúbal remonta à fundação pelos Fenícios, cerca de 1000 a.C., de uma colónia na margem esquerda do Sado. Dedicada ao deus Baal, assim como os demais estabelecimentos fenícios vizinhos - Lisboa e Alcácer do Sal - fornecia sal, peixe salgado, cavalos e suprimentos para as embarcações que navegavam em busca do estanho da região da Cornualha, às quais servia ainda como porto de abrigo.
Posteriormente ocupada por Cartagineses e por Celtas, à época da Invasão romana da Península Ibérica foi denominada de Caetobriga, que se acredita tenha sido abandonada no século VI por falta de condições de segurança aos seus moradores segundo alguns autores, ou devido aos movimentos das dunas de areia, segundo outros. Ele teria sido sucedido, por um novo assentamento, na margem oposta, núcleo gerador da actual cidade, ocupado a partir do século VIII pelos Muçulmanos.
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, o povoado muçulmano foi conquistado pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques (1112-1185), em 1165. Arrasado durante a ofensiva das forças do califa Almóada Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur (1190), foi reerguido a partir de 1200, sob o reinado de D. Sancho I (1185-1211).
O seu neto, D. Sancho II (1223-1248), após a retomada do Castelo de Palmela (1194), assegurando a posse desta região, também doou esta povoação à Ordem de Santiago da Espada, para que a defendesse e repovoasse.

Porta do Sol

Porto privilegiado pela sua localização sobre a rota comercial (e dos Cruzados) pelo oceano Atlântico, pelo desenvolvimento cada vez intenso que vivenciou, Setúbal tornou-se, no reinado de D. Afonso III (1248-1279), um dos principais portos de Portugal, a par do de Lisboa, do de Porto e do de Faro, razão pela qual recebeu o seu foral em 1249. O foral de portagem de Lisboa (5 de Outubro de 1337) refere, entre os produtos que alcançam a capital, uvas, vinhos, figos, peixe fresco e seco, itens que também transitavam pelo porto de Setúbal.
Data deste período a primeira estrutura defensiva da povoação, uma muralha envolvente iniciada ao tempo do rei D. Afonso IV (1325-1357) e concluída no reinado seguinte, sob D. Pedro I (1356-1367), com a função de conter os assaltos de piratas e de corsários que, oriundos do Norte d’África pelo oceano Atlântico, penetravam pela foz do rio Sado. Os trabalhos são referidos nas Crónicas de Fernão Lopes, que noticiam o lançamento das sisas, tributo cuja cobrança permitiu essa edificação. Em 1343 o soberano ordenou que fosse demarcado o termo de Setúbal.
Em 1439, por decreto real, a vila foi isenta de pagar aposentadoria, tendo se decidido a construção de estaus e casas para neles se receberem o rei e a sua Corte. Será deste porto marítimo que D. Afonso V (1438-81) partirá para a conquista da Praça-forte de Alcácer-Ceguer, no Norte d’África (1458).
Aqui foram celebradas as núpcias de D. João II (1481-1495) com D. Leonor de Viseu (22 de Janeiro de 1471). Posteriormente, no reinado deste soberano, deu-se início à construção de um conduto para o transporte de água, proveniente da serra de Palmela, para a vila. A expansão da vila para fora das suas muralhas iniciou-se em fins desse século, com a construção, no sector oeste, do Convento de Jesus.
D. Manuel I (1495-1521) outorgou-lhe o Foral Novo em 1514 e seu sucessor D. João III (1521-1557) o título de notável vila em 1525. No ano de 1526, começaram as obras do chamado Paço do Trigo, bem como as da abertura da Praça do Sapal (actual Praça de Bocage). Neste período, no século XVI, a vila de Setúbal já excedia, a nascente e poente, a muralha construída no século XIV, .
Mais tarde, no século XVII foi iniciado um reforço na muralha, que jamais chegou a ser concluído. Este reforço, de traçado abaluartado com planta poligonal orgânica (adaptado ao terreno), era integrado ainda pelas seguintes estruturas:
- Forte da Estrela, hoje desaparecido; 
- Forte Velho (do qual existem ainda os vestígios). 
As muralhas foram erguidas utilizando-se alvenaria de pedra argamassada. Do período islâmico, ainda se podem ver junto da cisterna as ruínas da Casa dos Vereadores, que ainda funcionava nos inícios do século XVI.

Porta de São Sebastião.

A muralha tinha as seguintes portas e postigos, abertos em diferentes momentos da sua existência (começando pela face Oeste e prosseguindo pelas faces Norte, Leste e Sul):
- Face Oeste:
* Porta Nova  - Corresponde à ligação da Rua Augusto Cardoso com a Avenida 22 de Dezembro. Também conhecida como Porta de Troino 
- Face Norte:
* Postigo de Santa Catarina - Corresponde à ligação da Travessa de Santa Catarina com a Avenida 5 de Outubro 
* Postigo do Sapal, chamado o Buraco d'Água - Corresponde à ligação da Rua Tenente Valadim com a Avenida 5 de Outubro 
* Porta de Évora - Para identificar 
* Postigo de Santo António - Para identificar, certamente na rua que dá ligação à Capela de Santo António. 
- Face Leste:
* Porta dos Padres da Companhia - Para identificar 
* Postigo dos Apóstolos - Para identificar 
* Porta de S. Sebastião - Ainda hoje existente, na ligação da Rua Arronches Junqueiro com o Largo dos Defensores da República 
* Porta do Sol - Ainda hoje existente 
- Face Sul:
* Postigo do Cais - Ainda hoje existente, na ligação da Travessa do Postigo do Cais com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo do Carvão - Corresponde à ligação da Rua Dr. António Joaquim Granjo com a Av. Luísa Todi. 
* Postigo de João Galo - Ainda hoje existente, na ligação da Rua dos Mareantes (antiga Rua de João Galo) com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo da Alfândega - Corresponde à ligação da Rua da Alfândega com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo de Frei Gaspar - Corresponde à ligação da Travessa de Frei Gaspar com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo da Pedra - Corresponde à ligação da Travessa do Postigo da Pedra com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo de São Cristóvão - Corresponde à ligação da Rua de São Cristóvão com a Avenida Luísa Todi 
* Postigo da Ribeira - Na ligação da Avenida Luísa Todi ao Largo Dr. Francisco de Soveral, anteriormente, Largo da Ribeira Velha 
* Postigo das Lobas - Corresponde à ligação da Travessa das Lobas com a Avenida Luísa Todi 
- Face Oeste:
* Torreão integrado no edifício da PSP 
* Torreão e panos de muralha junto ao cruzamento com a Av. 5 de Outubro 
- Face Norte:
* Pano de muralha no lado Oeste da Rua Tenente Valadim 
- Face Leste:
* Pano de muralha visível em frente ao Jardim de Quebedo 
* Pano de muralha visível em várias ruas, na ligação de norte para sul com a Porta de S. Sebastião (o caminho da ronda é acessível através da sede do Instituto Politécnico de Setúbal 
* Porta do Sol.